Pular para o conteúdo principal

Folha de Notícias

Advogada é presa em investigação sobre suposta fraude de R$ 75 milhões contra financeira ligada à família de Romeu Zema

A advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, foi presa durante uma investigação que apura um suposto esquema de fraude envolvendo a invasão dos sistemas da Zema Financeira, empresa ligada à família do ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo). O caso teria provocado um prejuízo estimado em R$ 75 milhões à instituição, segundo as apurações.

Com atuação profissional em Anápolis, Goiás, Jessika é companheira do empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, proprietário da fintech Naskar. Ele é alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de São Paulo, mas, de acordo com as investigações, teria deixado o Brasil antes do cumprimento da ordem judicial e viajado para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

As investigações apontam que o casal teria ligação com um grupo suspeito de utilizar credenciais de acesso comprometidas para invadir sistemas da Zema Financeira e realizar transferências via Pix para contas relacionadas aos investigados. O ataque teria atingido operações da empresa em Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

A fraude teria sido identificada pela própria instituição no fim de 2025, após a detecção de movimentações financeiras consideradas atípicas. O caso foi comunicado às autoridades, que passaram a investigar a origem das transações e a possível participação de outras pessoas e empresas.

Investigação também apura suposta fraude contra investidores

Paralelamente à apuração envolvendo a Zema Financeira, as autoridades investigam um suposto esquema relacionado à Naskar Gestão de Ativos. Segundo as investigações, a empresa teria captado recursos de investidores sob a promessa de rendimentos acima dos praticados no mercado.

A apuração aponta que, posteriormente, a operação teria enfrentado dificuldades financeiras, com interrupção de pagamentos e problemas para devolver aos clientes os valores aplicados. Em âmbito nacional, cerca de 3 mil investidores teriam sido afetados, e o prejuízo estimado pode chegar a R$ 900 milhões, conforme os dados investigados.

Clientes que afirmam ter sido prejudicados passaram a recorrer à Justiça na tentativa de recuperar os recursos investidos. O caso ainda está em apuração e envolve medidas judiciais destinadas a identificar o caminho do dinheiro e a eventual responsabilidade de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao grupo.

Advogada teria sido ligada a movimentações investigadas

A atuação de Jessika passou a ser analisada pelas autoridades em razão da relação com o empresário e da suspeita de que ela teria auxiliado na estrutura utilizada pelo grupo investigado. A apuração também verifica possíveis movimentações financeiras e empresariais consideradas relevantes pelos investigadores.

A advogada possui registro na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), com inscrição vinculada à cidade de Anápolis. Segundo as investigações, parte das atividades analisadas teria relação com a rotina do casal no município.

Um imóvel onde os dois residiam, localizado em um condomínio fechado, também entrou no conjunto de elementos analisados durante as diligências. Registros digitais e análises técnicas realizadas pelas autoridades teriam identificado conexões associadas ao endereço durante operações consideradas suspeitas no curso da investigação.

As autoridades também apuram a possível utilização de estruturas vinculadas à advogada para movimentações financeiras. Entre os elementos analisados estão contas bancárias e uma empresa registrada em nome dela, incluídas no rastreamento realizado para acompanhar a circulação dos valores.

A OAB-GO informou que não foi notificada previamente sobre a operação policial realizada em Anápolis, conforme os procedimentos previstos na legislação federal.

Empresário investigado teria deixado o Brasil antes de prisão

Douglas Silva de Oliveira Azara, apontado como proprietário da Naskar e um dos principais alvos da investigação, teria deixado o país após a decretação da prisão preventiva. Segundo as apurações, ele viajou para Dubai e passou a ser procurado pelas autoridades.

Nas redes sociais, o empresário publicou registros relacionados à viagem e afirmou estar no exterior.

Além da Naskar, Douglas aparece relacionado a outras empresas e propriedades rurais localizadas em Rio Verde, em Goiás, e nos estados de Mato Grosso, Rondônia e Maranhão. Os vínculos empresariais e patrimoniais são analisados pelas autoridades dentro da investigação que busca esclarecer a extensão das operações e o destino dos recursos.

Justiça determina medidas contra empresas e investigados

A investigação também resultou na adoção de medidas judiciais contra pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao grupo. Entre as providências estão bloqueios patrimoniais determinados pela Justiça com o objetivo de preservar recursos enquanto o caso é analisado.

Em Goiás, empresas vinculadas ao empresário aparecem em processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Estado. Pelo menos 15 ações foram identificadas desde maio de 2026 envolvendo empresas e pessoas relacionadas ao caso, com registros empresariais em Rio Verde e em outros municípios de diferentes estados.

As investigações continuam para esclarecer a dinâmica do suposto esquema, identificar a participação individual de cada investigado e dimensionar os prejuízos. Os envolvidos ainda poderão apresentar suas defesas no decorrer do processo, e eventual responsabilização criminal dependerá da análise das provas e de decisão judicial definitiva.

Facebook
WhatsApp

Confira nossa última edição impressa do Jornal Folha de Notícias