A implantação do novo sistema de pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como “Free Flow”, em trechos das rodovias BR-060 e BR-452, em Goiás, desencadeou uma onda de críticas e indignação entre motoristas, caminhoneiros e produtores rurais. O principal alvo das reclamações é a BR-452, importante corredor logístico que liga Rio Verde ao município de Itumbiara, considerada por usuários uma das rodovias mais precárias do estado.
O modelo de cobrança começa a operar nesta quarta-feira (27) por meio de pórticos eletrônicos equipados com câmeras e foto sensores capazes de identificar automaticamente as placas dos veículos, sem a necessidade de praças físicas de pedágio. O sistema prevê que o pagamento seja realizado posteriormente, por meio digital, aplicativo, site ou tags eletrônicas instaladas nos veículos.
A novidade, no entanto, está longe de ser vista como avanço por quem utiliza diariamente a rodovia. Motoristas denunciam que a BR-452 apresenta trechos com buracos, asfalto deteriorado e pista simples, cenário que aumenta os riscos de acidentes e compromete o transporte de cargas em uma das regiões mais estratégicas do agronegócio goiano.
“É revoltante ver o governo instalar equipamentos modernos para cobrar pedágio enquanto a rodovia continua cheia de buracos. Querem cobrar em uma das piores rodovias do Brasil”, criticou um usuário da via.
As críticas também se concentram na falta de informação sobre o funcionamento do sistema eletrônico. Sem cancelas físicas ou paradas obrigatórias, muitos condutores temem ser multados por evasão de pedágio sem sequer perceberem que passaram por um trecho tarifado. A preocupação é ainda maior entre motoristas do interior e trabalhadores do transporte que não utilizam aplicativos bancários ou dispositivos eletrônicos de pagamento.
Segundo informações divulgadas sobre o novo modelo, os motoristas que não possuem tag eletrônica precisam acessar os canais digitais da concessionária para quitar a tarifa após a passagem pelo pórtico. Caso o pagamento não seja realizado dentro do prazo, o usuário pode ser autuado por evasão de pedágio.
Além da precariedade da rodovia, usuários questionam a cobrança diante da alta carga tributária já paga pelos brasileiros. Caminhoneiros e produtores rurais apontam que os combustíveis já possuem incidência de tributos como ICMS, COFINS e CIDE, além do IPVA anual, e classificam a nova cobrança como mais um peso financeiro para quem depende das estradas diariamente.
“O cidadão paga imposto em tudo e continua trafegando em rodovia perigosa. O mínimo seria entregar uma estrada segura e bem pavimentada antes de começar a cobrar pedágio eletrônico”, afirmou um caminhoneiro que percorre frequentemente o trecho entre Rio Verde e Itumbiara.
A BR-452 é considerada uma das principais artérias logísticas do sudoeste goiano, utilizada intensamente pelo agronegócio para escoamento de grãos, transporte de insumos e circulação de cargas pesadas. Apesar da importância econômica da via, usuários cobram há anos investimentos em recuperação estrutural, sinalização e duplicação da pista.











