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PSD embaralha o jogo e pode dividir a disputa presidencial em duas eleições diferentes

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A movimentação do PSD no tabuleiro político nacional já redesenha o cenário da sucessão presidencial e pode resultar em dois pleitos distintos em 2026: um primeiro turno pulverizado, com a direita fragmentada, e um segundo turno marcado por alianças reconfiguradas contra o campo da esquerda. 

A avaliação é da analista de política da CNN, Isabel Mega, durante o Live CNN.

Segundo Mega, a atual divisão da direita favorece diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao diluir forças adversárias em múltiplas candidaturas. A estratégia, porém, pode mudar no segundo turno, com uma possível união semelhante à registrada no Chile, quando setores conservadores se articularam para barrar o avanço da esquerda, comparação citada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em conversa com o jornalista Pedro Venceslau.

“Neste momento a divisão da direita acaba favorecendo o presidente Lula, porque dá uma pulverizada, uma dividida”, avalia Isabel Mega.

Ainda assim, o fator rejeição surge como um obstáculo relevante. Lula enfrenta resistência significativa em parte do eleitorado, enquanto Flávio Bolsonaro, apesar de manter a capilaridade política do sobrenome, também carrega altos índices de rejeição, o que limita seu potencial de crescimento.

PSD tenta ocupar o centro e atrair o Centrão

Nesse contexto, o PSD busca se consolidar como uma alternativa de centro, com três governadores cotados para disputar o Planalto: Ratinho Júnior (Paraná), apontado como o preferido do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab; Eduardo Leite (Rio Grande do Sul); e Ronaldo Caiado (Goiás), recém-filiado ao partido. A definição do nome deve ocorrer até abril de 2026, prazo legal para a desincompatibilização de cargos públicos.

Outro ponto-chave será o posicionamento do Centrão, que pode aderir ao projeto do PSD, manter neutralidade estratégica ou dividir apoio entre diferentes candidaturas, incluindo a de Flávio Bolsonaro. Essa decisão será determinante para o desenho do primeiro turno.

Impasses regionais e alianças locais

Para Isabel Mega, o avanço do PSD também provoca um “embaralhamento de cartas” nos estados. Em regiões como Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro, o partido mantém alinhamento com o governo Lula e não demonstra disposição para romper essas alianças. Kassab, inclusive, já sinalizou a possibilidade de liberar apoios regionais que não sigam, necessariamente, a orientação nacional.

Em contrapartida, Ratinho Júnior afirmou à CNN defender a unidade partidária em torno do candidato escolhido, cenário que, segundo pesquisas internas, pode favorecer seu próprio nome.

Com o prazo de abril de 2026 como marco decisivo, as articulações até lá definirão não apenas quem estará no primeiro turno, mas também como direita e centro poderão se reorganizar em um eventual segundo turno, redesenhando o embate contra o candidato da esquerda.

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