O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que o partido trabalhará para manter Hugo Motta (Republicanos-PB) na Presidência da Câmara dos Deputados a partir de 2027, mesmo diante da resistência já manifestada por integrantes do PL.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (7), logo após o Republicanos oficializar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Segundo Pereira, a resistência à continuidade de Motta não partiria diretamente de Flávio, mas de integrantes da bancada eleita pelo PL.
“Com diálogo se constrói”, afirmou o dirigente, ao defender que o impasse seja resolvido por meio de negociação entre os partidos.
Marcos Pereira foi além e afirmou que o apoio do Republicanos a Hugo Motta será “incondicional”. A legenda pretende buscar votos entre outras bancadas para garantir mais dois anos de Motta no comando da Câmara.
PL quer espaço no comando do Congresso
A resistência ocorre depois de o PL conquistar as maiores bancadas da Câmara e do Senado nas Eleições 2026.
Na Câmara, a legenda elegeu 121 deputados. No Senado, terá 28 integrantes considerando os parlamentares que já estavam no meio do mandato. Diante desse tamanho, dirigentes do partido passaram a defender que o PL tenha participação direta no comando de pelo menos uma das duas Casas do Congresso.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, já declarou que considera legítimo o partido reivindicar uma das presidências, embora tenha classificado como prematura uma definição antes do fim da eleição presidencial.
Motta apoiou Lula e não participou de anúncio
O cenário ganha outro componente político porque Hugo Motta declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele não participou do evento em que o Republicanos formalizou apoio a Flávio Bolsonaro e, segundo as informações divulgadas até agora, deve manter sua posição pessoal favorável a Lula no segundo turno.
Apesar disso, Marcos Pereira afirmou que o partido respeitará particularidades regionais e posições divergentes de algumas lideranças, especialmente em estados do Nordeste.
Discussão ficará para depois do segundo turno
O próprio presidente do Republicanos afirmou que a eleição para o comando da Câmara não será tratada como prioridade neste momento.
Segundo Pereira, primeiro será necessário conhecer o resultado do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Somente depois disso as articulações pelo comando da Câmara devem avançar de forma mais intensa.
“Primeiro a gente precisa ver quem vai ser o presidente da República no dia 25 de outubro”, declarou.
Pereira também descartou a possibilidade de lançar sua própria candidatura caso Motta encontre dificuldades para reunir votos suficientes. Segundo ele, não pretende disputar a Presidência da Câmara nos próximos quatro anos.
A movimentação antecipa uma das principais disputas políticas que devem ocorrer logo após a eleição presidencial. Com o PL fortalecido nas urnas e o Republicanos determinado a manter Hugo Motta, a definição do comando da Câmara dependerá de uma ampla composição entre as maiores bancadas do Congresso.











